'De Volta Para o Futuro' Data ganha festas e documentário

FERNANDA EZABELLA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE LOS ANGELES

Às 11h29 da manhã desta quarta-feira (21), horário de Brasília, Marty McFly pousará na cidade californiana de Hill Valley, vindo diretamente de 1985 com o cientista Doc Brown e sua namorada Jennifer Parker, de carona num DeLorean transformado em máquina do tempo. Claro, isto é apenas ficção, roteiro de "De Volta para o Futuro 2", cuja trilogia comemora seu 30º aniversário em 2015.

Na verdade, centenas de McFlys e Docs, além de outras dezenas de DeLoreans modificados, surgirão neste exato momento para participar de um dos inúmeros eventos organizados em Los Angeles pelos fãs, que gostam de usar o colete vermelho de Marty (Michael J. Fox) e a cabeleira branca selvagem de Doc (Christopher Lloyd).

As celebrações começam hoje, com um tour especial pelos estúdios da Universal –os ingressos de US$ 200 (cerca de R$ 770) estão esgotados–, e vão até domingo, incluindo aulas com os criadores do "hoverboard", aquele skate flutuante sem rodinhas, e um passeio na recriação total da fictícia Hill Valley, num endereço mantido em segredo.

Um leilão também faz parte da festa, e o lote mais caro é justamente um dos "hoverboards" usados na sequência de 1989. O preço inicial é US$ 18 mil, embora o organizador espere atingir um preço mais alto. "Depois da máquina do tempo, o hoverboard é a peça mais reconhecível dos filmes. A produção fez alguns porque eles quebravam de tempos em tempos. Já vendemos outros antes e chegamos a receber ofertas de US$ 55 mil", disse Desi Dos Santos, fundador da casa de leilões ScreenUsed.

Divulgação
O ator Michael J. Fox segura um hoverboard em cena do filme "De Volta para o Futuro 2"

O leilão aceita lances de gente de fora dos EUA, só é preciso se cadastrar. À venda há também o almanaque esportivo que Marty compra em 2015 e é roubado pelo inimigo Biff para enriquecer no passado (lance inicial de US$ 7.500). A ScreenUsed foi a responsável por vender o único DeLorean usado no filme que hoje está em mãos privadas (há outros dois em posse da Universal). O lance foi de US$ 541 mil.

GELADEIRA DO TEMPO

Dois documentários inéditos serão exibidos durante as festividades. O primeiro, "Out of Time", fala sobre um dos DeLoreans da Universal que por anos ficou mofando na garagem dos estúdios e acabou salvo por um grupo de fãs. Já o segundo traz entrevistas com todas as pessoas importantes que participaram da trilogia.

"No primeiro rascunho, a máquina do tempo era uma câmera feita de uma geladeira", conta Bob Gale, coprodutor e coroteirista dos filmes com o diretor Robert Zemeckis, em entrevista no documentário "Back in Time", que estreia na Netflix nesta quarta. "Tivemos uma proposta para fazer num Mustang e receber US$ 75 mil de propaganda, mas Doc Brown não anda em Mustangs!"

"Back in Time"


A dupla passou quatro anos tentando vender o projeto e ouviu um grande "não" da Disney. Um executivo achou que a trama era sobre incesto -quando McFly volta ao tempo, sua mãe, então uma jovem ingênua, se apaixona e beija o filho na boca. "É provavelmente a melhor coisa que já escrevi na vida", diz Zemeckis. "Definitivamente não é o filme perfeito, tem muitas falhas e até duas ou três cenas fora de foco. Mas o roteiro é muito bom e deveria ser estudado nas escolas."

O documentário também fala sobre o ator Eric Stoltz, que viveu Marty McFly por seis semanas até ser substituído por Michael J. Fox, a primeira opção dos produtores, mas que estava ocupado gravando o seriado "Caras & Caretas". O ritmo cômico de Stoltz não agradou aos produtores, que voltaram a insistir com J.Fox.

"Eu gravava a série de manhã até as 18h e seguia para o estúdio para gravar o filme até 2h, 3h da manhã", lembra J. Fox. "Em algumas das cenas, os atores estão reagindo a Eric, e não a mim."

O diretor de "Back in Time", Jason Aron, levantou cerca de US$ 200 mil em campanhas de financiamento on-line para terminar o documentário, que fará um tour por 15 cidades americanas ao lado de uma réplica do DeLorean e da banda The Flux Capacitors, cujos integrantes sobem ao palco fantasiados dos personagens e tocam músicas da trilogia e dos anos 80.

"Não haverá um 'De Volta para Futuro 4', os fãs sabem disso e acho que nem gostariam. Então nosso documentário é quase como uma sequência, um novo conteúdo feito pelos fãs e para os fãs", afirma Aron.

"Nossa comunidade é mais pé no chão do que os fãs de 'Guerra nas Estrelas', por exemplo. Não nos vestimos de Darth Vader, nem brigamos entre si. Somos muito mais amigáveis."

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